_ Ai Bee! Oxalá 3 vezes! Que susto você deu na gente... Mas como assim empréstimo? Isso é complicado, você viu as taxas de juros? Olha a roubada hein!
_Relaxa gente, tenho certeza que foi um sinal. Amanhã mesmo eu mudo minha vida!
_Mas... bee, como você vai fazer o tal empréstimo vestido assim? Indagou Roberto.
Aleida que não havia pensado em nada disso, começou a ficar preocupado. Para dificultar ainda mais a situação, lembrou que não poderia chegar em casa naqueles trajes e muito menos retirar o disfarce. E se fosse reconhecido pelo caminho? Entre uma cerveja e outra, Chegado viu o desespero do amigo diante de todo aquele emaranhado e de imediato lhe ofereceu ajuda:
_ Se quiser, saindo daqui vamos para minha casa, você dorme por lá mesmo, amanhã ao acordarmos você sai para resolver sua vida, mantendo o disfarce até um local mais próximo ao LIEF-empréstimos, onde você possa se trocar e voltar a ser você. Todos riram com aquele "voltar a ser você!"
Tudo parecia estar perfeito, porém, passada a euforia, Aleida mal conseguia se equilibrar no salto fino do sapato que calçava, o baton ( de qualidade duvidosa) que a essa altura já se encontrava seco o impedia de falar direito, sem contar o vestido colado, e o xale ostentado num calor de aproximadamente 40º graus.
Ao chegar na casa de Chegado fora apresentado como " Alice", todos o (a) cumprimentaram e aparentemente ninguém desconfiou de absolutamente nada. Aleida exausto correu para tomar um bom banho, não via a hora de relaxar sua cuca. Chegado ficou o tempo todo atento para que ninguém suspeitasse de nada, principalmente seu irmão, Fabinho, que possuia a fama de ser o fofoqueiro do bairro.
Aleida no chuveiro parecia lavar sua alma, tinha certeza de que tudo logo logo ia clarear... Quando de repente, a ironia do destino mais uma vez veio a tona, como num passe de mágica tudo se apagou, o chuveiro ficou frio e de dentro do banheiro só ouvia a mãe de Chegado reclamar que perderia sua novela. Se tratava de um apagão, daqueles sem explicação, não estava nem chovendo para tal "zica". Aleida permanecia imóvel na escuridão. Passados alguns minutos, Chegado tentou tranquilizá-lo:
_ " Alice" tá tudo bem, já já a luz volta.
Trinta minutos se passaram e nada... Do banheiro, Aleida continuava a ouvir as reclamações da mãe de Chegado, do pai... Mal sabia ele que o pior ainda estava por acontecer.
Mais alguns minutos se passaram. A luz finalmente voltou, os gritos eclodiram como de uma torcida após o gol, e o mais feliz com a volta da energia, era Fabinho, que ameaçava fazer nas calças o que tanto lhe afligia. Chegado, tentou controlar a situação, mas não teve jeito, ele realmente estava apertado, sua fisionomia estava péssima, mostrava até os seus terríveis arrepios.
Aos poucos Aleida foi ouvindo Chegado bater delicadamente na porta, sendo bruscamente acelerado por Fabinho que pedia de forma piedosa para abrir-lhe a porta. Aleida estava "ferrado", não havia levado para o banheiro nem o Chapéu, nem o xale, peças de fundamental importância para veracidade do seu disfarce. O que faria? As batidas na porta aumentavam a cada milésimo de segundo e consequentemente seu desespero, Aleida mal teve tempo de colocar o vestido, na cabeça improvisou uma toalha enrolada, e saiu do banheiro fazendo a linha "encabulada", com o braço levantado escondia parte do seu rosto.
As pressas, Fabinho passou por " Alice", porém não deixou de reparar (como bom fofoqueiro) algo inusitado para uma moça no mínimo asseada: Suas axilas eram peludas como as de um homem.
Dali em diante Fabinho tinha uma história para esclarecer: _ Estaria "ela" imitando Cláudia Ohana ou a Julia Roberts em tempos de protesto? Pensava enquanto tirava o mal de dentro do seu corpo.