Aleida
O sentimento de culpa era enorme por conta do ocorrido, Donilcéia (mãe de Aleida) estava vivendo a base de calmantes, não havia mais felicidade e muito menos paz em sua casa. O tempo foi passando e nada se resolvia, sem crédito na praça, boas referências de trabalho, pessoas a quem pudesse recorrer, Aleida não via saída para o infortúnio momento que vivia. Gastava todo o seu tempo acendendo velas e fazendo orações para todos os santos e oxalás.
Faziam dois meses que Aleida não via a luz do sol, em depressão profunda e com enorme vergonha das pessoas, ficava em seu quarto quase sempre chorando, sem querer ver ninguém, nem mesmo Chegado e Roberto. Eis que um belo dia..."Se você está com dificuldade financeira, nós resolvemos seu problema, com Luís Inácio empréstimos facilitados sua vida não será a mesma. Sem consultas no SPC e SERASA, confiamos em você companheiros do meu Brasil. Dividimos em 12, 24,36, 40 vezes pq a sua satisfação será a nossa satisfação. Não perca tempo..."
Ainda sonolento, Aleida não sabia se o que acabara de escutar fazia parte de um sonho, se Deus havia lhe enviado um mensageiro ou se realmente era um carro de propaganda de empréstimos. Ao olhar pela janela pode ver que não estava sonhando, decidiu se agarrar aquela chance como um presente divino, o problema estaria em como sair de casa sem ser reconhecido...Devagar sentia que a voz ia se afastando, precisava correr e trabalhar num disfarce para sair de casa.
Recorreu aos armários da sua mãe, sua avó e sua irmã: Chapéu, vestido colado, chale de tricô, sapato alto e um atraente batom vermelho, faziam parte do look montado por ele que cambaleando partiu em direção ao carro.
_ "Seu" Luís Inácio, "Seu" Luís Inácio...Gritava ele com uma voz bem fina.
Mesmo com aquele salto conseguiu alcançar o objetivo, o motorista surpreso parou e se dirigiu a "bela moça":
_ Em que posso ajudá-la senhorita?
Tentando atuar com certo charme, Aleida perguntou:
_ Como posso fazer esse empréstimo, querido? Estou precisando muito, tenho filhos para criar, contas para pagar. Mentia Aleida, fazendo a linha educada e comovente.
Sem a menor desconfiança e ainda encantado com a jovem mãe, respondeu:
_ Será um prazer atendê-la! Pessoas como você recebem tratamento vip, é fácil, apareça amanhã na rua Petrônio Nascimento, 127, esquina com a rodoviária, a partir das 11:00 hrs.
Se despediram e aproveitando o entusiasmo, Aleida de um orelhão ligou para os amigos Roberto e Chegado para que estes fossem ao seu encontro, marcaram num bar bem discreto para não correr o risco de ser reconhecido.
Felizes com a recuperação do amigo, foram de imediato, há tempos não viam Aleida. Ao chegarem ao local combinado, pensaram que ele havia desistido, pois, nenhuma das pessoas que lá estavam, lembravam a sua inconfundível figura. Até que ouviram baixinho:
_ Psiu, psiu...tô aqui...
Surpresos ao extremo e sem entenderem nada, seguiram calados ao seu encontro. Embasbacados com o que viam, ficaram mudos por um longo tempo. Chegado e Roberto se entreolhavam e as perguntas podiam ter certeza, eram as mesmas: O que será que está acontecendo? Será que no desespero Aleida resolveu se prostituir?
Aleida eufórico só falava da conquista do dinheiro fácil, que em pouquíssimo tempo suas dívidas seriam pagas e melhor do que isso, onde ele conseguiria o dinheiro, ninguém se importaria com os erros do passado, seu tratamento seria V.I.P, pois ele tinha descoberto "Seu"Luís Inácio, a pessoa que ele precisava naquele momento tão difícil da sua vida.
Na cabeça de Roberto e Chegado essa era a resposta para as suas perguntas, mais uma vez eles se entreolharam e pensaram: Seria Luís Inácio seu cliente?
_ Caravelas de Cabral, Aleida só podia estar enlouquecendo. Pensavam seus amigos.