Aleida
Mal descansou, de manhã bem cedo Aleida começou a agilizar seus contatos: Agendou visitas, enviou e-mails... E para sua surpresa e alegria, todos foram bem receptivos! Em poucas horas já estava na rua, e ao final do dia pôde perceber que conseguira recuperar boa parte do investimento.
Mal descansou, de manhã bem cedo Aleida começou a agilizar seus contatos: Agendou visitas, enviou e-mails... E para sua surpresa e alegria, todos foram bem receptivos! Em poucas horas já estava na rua, e ao final do dia pôde perceber que conseguira recuperar boa parte do investimento.
Como imaginado, os eletrônicos foram os que obtiveram melhor saída. Uma organização só! Os parecelados eram anotados em seu caderninho, e pagamentos à vista...
Para comemorar o sucesso do primeiro dia de trabalho, convidou Chegado e Roberto para um belo jantar num dos restaurantes mais requintados da cidade. Tudo por sua conta! Afinal, também era filho de Deus e merecia um pouco de diversão.
Dias se passaram e o telefone de Aleida não dava trégua, tocava o dia e a noite inteira, todos queriam conhecer seus produtos. A certeza do triunfo nessa nova empreitada crescia a cada segundo:
_ Que maravilhoso ser eu mesmo o meu patrão! Suspirava Aleida.
Aos poucos sua pesada mala foi esvaziando e as anotações de seu caderninho aumentando. Já se preparando para um possível retorno para novas compras, Aleida é surpreendido:
_ Alô, Alexandre? Comprei um mp4 com vc semana passada, mas hoje pude perceber que ele veio sem o manual.
Aleida teve que esclarecer que devido a quantidade de produtos, o manual poderia estar no meio das suas bagagens. Mas para o seu espanto, esse tipo de ligação começou a ficar frequente:
_Alô, Alexandre? Sou eu, Soraia, fui tirar umas fotos com a máquina que vc me vendeu e ela estava sem a bateria.
Mais uma vez Aleida deu a desculpa da bagagem e correu para revirar suas malas, precisava entender o que estava acontecendo e arranjar um jeito de sair daquela situação, já que no fundo no fundo sabia que não encontraria nada. Esquecera de conferir na hora da compra, e produtos paraguaios, são produtos paraguaios, pensou.
O desespero e o nervosismo foi tomando conta do seu ser, a cada toque de seu telefone o descontrole aumentava, já não atendia mais as ligações, não podia contar a verdade. Devolver o dinheiro naquele momento seria impossível, já gastara mais da metade com jantares, noitadas, roupas. Precisava de um tempo para pensar o que fazer, recorreu aos seus amigos que também ficaram um tanto quanto preocupados, temendo o que poderia lhe acontecer:
_ Bee, vamos falar que você está doente! Disse Chegado pensando numa forma de ganhar tempo. Assim ele ficaria em casa e não atenderia o telefone até a poeira baixar. Viveria quase que em prisão domiciliar.
O plano de Chegado parecia dar certo, porém depois de dois dias de "prisão" a desordem tomou conta da calma rua habitada por Aleida. Ovos espatifavam em sua janela, muros eram pichados com palavras de baixo calão: "Bicha caloteira!", "Viado, vai morrer!", "FDP", eram algumas delas. Um verdadeiro horror!
Até o fim desse capítulo Aleida permanecia trancafiado em seu quarto, ouvindo os manifestos de pessoas que passavam em frente a sua casa, berrando:
_ "Justiça!"
_"Bicha lalau!"
E por ai vai!